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TREINAR EQUIPES É COMPARTILHAR CONHECIMENTO

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Os setores de recursos humanos das empresas se deparam com uma questão nem sempre fácil de resolver: a formação de treinadores para orientar as suas equipes de trabalho, principalmente quando envolve profissionais de nível superior. Segundo José Rodrigues Passarinho, diretor da Maix Treinamentos, normalmente o treinador costuma ensinar do jeito que gosta de aprender, mas que isso pode não funcionar, pois as pessoas têm perfis diferentes de aprendizagem.

Ele explica que quando uma pessoa gosta de aulas e palestras, provavelmente irá oferecer um treinamento focado neste perfil. Quem aprecia dinâmica e prefere colocar a mão na massa o treinamento tende a ensinar deste modo, mas acaba deixando de atingir parte da equipe. Em sua visão, o treinamento tem que passar por diversos perfis de aprendizagem. “Para dividir conhecimento com uma pessoa mais sinestésica, mais mão na massa, deve propiciar que ela faça experiências; para quem é auditivo se faz necessário conversar, debater. O treinador deve conquistar a atenção de todos, do mais intelectual ao mais emocional”, afirma.

“não existe motivo nenhum para um treinamento ser chato, mesmo se for essencialmente técnico”



Para a formação de treinadores, Passarinho diz que o ideal é adotar a andragogia, metodologia de educação para adultos. Esta ciência leva em consideração que o aluno tem experiência prévia que deve ser levada em conta.“Se tratarmos um engenheiro como um aluno do ensino médio, por exemplo, ele não irá prestar atenção em seu treinamento. Hoje trocamos a imagem do professor oráculo, que despeja conhecimento por um facilitador, alguém que diz: vou ajudar vocês a trabalhar num tema, vamos juntos descobrir como chegar ao objetivo desejado”.

Em relação às técnicas de aprendizado com integração social, trabalhos realizados em áreas verdes, visando vencer desafios em equipe, Passarinho alerta que o importante é promover experiências pertinentes ao conteúdo desejado. Ele conta que enfrentou o desafio de ensinar o processo de engenharia a uma equipe de vendas de uma empresa de data Center. O caminho mais fácil, diz, seria tentar mostrar todo o processo usando PowerPoint. No entanto, buscou-se uma alternativa mais interativa e menos cansativa. “Todas as etapas do processo foram transformadas em frases. Entregamos umas cartolinas enormes e tiras de papel com essas frases. Os vendedores tinham que montar o processo. Cada um montou uma caixinha, uma espécie de campeonato para ver quem conseguia montar seu kit primeiro e melhor. A segunda fase envolveu toda a equipe, umas 20 pessoas. Elas tinham que descobrir qual a caixinha que vinha antes, qual a que viria na sequência, criando uma discussão sobre as fases corretas do processo, o que ajudou a todos a entender o processo. Com essa movimentação ficou mais fácil entender o processo de engenharia do que com 500 slides de PowerPoint”, afirma. Passarinho comenta que este treinamento foi realizado durante uma convenção e que é importante tirar as pessoas de seu ambiente de trabalho.“Quanto mais lúdico e mais diferenciado for o ambiente, melhor será o resultado”.

Na formação de treinadores primeiro se trabalha o mapa mental e depois se explica o porquê mudar e as vantagens de um treinamento diferente. Em seguida são apresentados as ferramentas, o perfil de aprendizagem, a andragogia, o treinamento holístico, o que é dinâmica, o que não é dinâmica, e só então tem início a parte prática e, nesta hora, as ideias de como fazer vêm do treinador. “Atuamos para uma empresa que precisava treinar funcionários para montar um sistema de vedação de passagens de cabo para um data Center. Primeiro o treinador pensou em usar o PowerPoint, mas os aprendizes precisavam manusear as peças. Neste caso, a montagem é feita sob piso elevado e o treinador pensou em colocar todos os participantes debaixo da mesa. Quando eu disse que era uma boa ideia ele pensou que eu estivesse brincando. Colocar todos sob a mesa foi lúdico e pertinente, afinal, no dia a dia eles montam as peças sob piso elevado”.

Segundo Passarinho, “não existe motivo nenhum para um treinamento ser chato, mesmo se for essencialmente técnico”. Ele cita como exemplo apresentações do especialista em estatística Hans Rosling, que em suas palestras sobre crescimento populacional no mundo usa várias caixas, e para cada uma diz que ela representa um determinado número de pessoas. Sobre os anos 60, Rosling diz que as pessoas queriam ter um carro e então pega um carrinho e coloca na caixa, mas que no terceiro mundo o que elas queriam era ter um calçado, e coloca um calçado na caixa correspondente, e assim por diante. “Com isso ele transforma um tema estatístico, que poderia ser chato, em algo totalmente lúdico, demonstrando o resultado da evolução mundial, sem usar o PowerPoint”, afirma.

Sobre o treinamento de como fazer palestras Passarinho diz que o primeiro passo é definir o roteiro. No início cria-se a conexão com as pessoas. Deve-se evitar começar uma palestra dizendo seu nome, o assunto e sua biografia. Cria-se conexão contando uma história, se aproximando das pessoas, contando alguma coisa pessoal, depois você entra com a argumentação e faz um fechamento de impacto.“As partes que mais prendem a atenção em uma palestra são o início e final. No meio é possível argumentar com histórico sobre o tema, mostrando contrastes. Para prender a platéia é preciso ser um bom contador de histórias”, define.

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José Rodrigues Passarinho, diretor da Maix Treinamentos

José Rodrigues Passarinho Arquiteto formado pela USP, com MBA em Marketing pela ESPM. Possui mais de 25 anos de experiência profissional como empreendedor e como executivo nas áreas de comunicação, marketing, publicidade e treinamentos.