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RAMOS DE AZEVEDO EMPREENDEDOR E INOVADOR

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Com genialidade e dons artísticos, construiu e transformou a província de São Paulo

Com a extinção do tráfico de escravos, em 1850, os imigrantes europeus assalariados passaram a ser contratados, principalmente para trabalhar nas fazendas de café em expansão. As cidades, sobretudo a de São Paulo, começam a receber os imigrantes dispostos a trabalhar na construção civil. Em 1872 um grupo de fazendeiros se organizou para construir uma ferrovia, a fim de propiciar o escoamento da produção de uma das regiões mais produtivas do estado de São Paulo: Mogi-Mirim e Amparo. Nesse mesmo ano, o jovem Ramos de Azevedo, nascido em Campinas e filho de Anna Carolina de Azevedo e do major aposentado João Martins de Azevedo, interrompe os estudos na Escola de Artilharia Militar no Rio de Janeiro. Retorna a Campinas e passa a trabalhar como “praticante” nas obras das estradas de ferro da Companhia Mogyana de Estradas de Ferro. Por sua dedicação conquistou o apadrinhamento do presidente da Companhia Paulista e Mogyana de Estradas de Ferro, Antônio de Queirós Telles, Barão de Parnaíba.

A localização da Escola Politécnica no bairro da Luz foi apropriada, pois a região refletia as transformações por que passavam o Estado e o País. A estação da Luz trouxe luxo aos arredores, que já ostentavam um afrancesado jardim desde 1825. Assim, a Politécnica, que em seus primórdios também formava arquitetos, era vizinha de um conjunto de edifícios projetados por Ramos de Azevedo. A diretoria, comandada por Paula Souza, decidiu construir um novo prédio no mesmo local. As obras começaram em 1895, com projeto de Ramos de Azevedo, que pretendia criar um edifício capaz de acompanhar as evoluções do ensino de engenharia no país e as exigências da sociedade. Em 21 de janeiro de 1899, cerca de cinco anos depois da primeira aula, o chamado Prédio Novo foi inaugurado, com o nome de Paula Souza, conforme proposta do professor Alexandre Albuquerque. Foi vice-diretor da Escola Politécnica de São Paulo entre os anos de 1900 e 1917. Assumiu o cargo de diretor (1917-1921) logo após a morte do professor Antônio Francisco de Paula Souza.

O propósito de Ramos de Azevedo era formar-se engenheiro civil e, em 1875 foi estudar na École Speciale du Génie Civil et des Arts et Manufactures Annescée da Universidade de Gante, na Bélgica. Em 1878 recebeu o título de Ingenieur Architecte e no mesmo ano teve seus desenhos expostos na Exposição Universal de Paris.

De volta ao Brasil em 1879, Ramos de Azevedo instala-se em Campinas onde começavam a surgir as primeiras construções de tijolos. Apenas 19 dias após o seu retorno ao país anunciou no jornal a abertura de seu escritório, no mesmo endereço da loja de seu pai. Iniciando sua carreira fez uma exposição dos trabalhos feitos na Bélgica. Defensor de idéias urbanísticas e sanitárias em voga no exterior, e com a intenção de inovar, aplica aos projetos públicos que executa conceitos de saneamento básico praticados nos grandes centros urbanos da Europa.

Em 1881 Ramos de Azevedo casa-se com Dona Eugênia Lacaze, com quem tem duas filhas e um filho: Lúcia, Laura e Francisco. Durante sete anos (de 1879 a 1886) trabalha em Campinas e nas cidades do interior. Neste período retomou a amizade e o trabalho conjunto com o engenheiro civil Antonio Francisco de Paula Souza.

Em agosto de 1886, anunciou ao amigo Paula Souza que a sua indicação para a construção do Edifício do Tesouro Nacional, obra do governo central de São Paulo, aniquilava as hesitações que ainda tinha em mudar-se para São Paulo. Em março de 1891 o prédio foi inaugurado. Em 1887, em parceria com Paula Souza, iniciou a reforma da Matriz de Itu e, em 1888, as obras do quartel da Luz. Em 1890 projetou a Escola Normal da Praça da República. Em abril do mesmo ano, assumiu a chefia da carteira imobiliária do Banco Unido de São Paulo.

Ramos de Azevedo voltou sua atenção para a formação de mestres e operários



Devido à falta de mão de obra qualificada, Ramos de Azevedo voltou sua atenção para a formação de mestres e operários. Sua proposta, junto de Paula Souza, era criar uma escola que reunisse a Engenharia e a Arquitetura em um único curso. A Escola Politécnica foi inaugurada em 1894, no antigo solar do Marques de Três Rios. Ramos de Azevedo projetou os laboratórios da escola em 1895, ano em que assumiu o controle do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Em 1896 foi inaugurado o edifício da Secretaria da Agricultura e no ano seguinte foram iniciadas as obras da Secretaria de Justiça e da nova ala do Palácio do Governo. Em 1890, Ramos de Azevedo apresentou à Câmara o projeto do Teatro Municipal de São Paulo. Em 1904 foi eleito senador estadual, mas renunciou em 1905.

Em 1907 constitui o Escritório Técnico F.P. Ramos de Azevedo, tendo Ricardo Severo como sócio. Em 1908 expôs seu álbum de construções na Exposição Nacional de 1908, no Rio de Janeiro, comemorativa ao centenário da Abertura dos Portos. Em 1910 funda a Cerâmica Vila Prudente. Em 12 de setembro de 1911 é inaugurado o Teatro Municipal. Participa também da fundação do Banco Ítalo Belga e da Sociedade dos Arquitetos de São Paulo. O Escritório Ramos admite novos sócios: Arnaldo Dumont Villares e Domiziano Rossi. Em 1914 é eleito diretor da Estrada de Ferro Mogiana.

Em 1917 é eleito vice-presidente do Conselho Administrativo da Caixa Econômica do Estado. Em 1919 é cogitado para prefeito de São Paulo. Em 1921 é festejado pelos seus 70 anos de vida. Em maio de 1924 é inaugurado o Palácio das Indústrias. Em 1925 assume a presidência da Caixa Econômica do Estado de São Paulo, cargo que ocupa até falecer. Ramos de Azevedo nasceu em 08 de dezembro de 1851 e faleceu em 1 de junho de 1928.

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Ramos de Azevedo