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FRANCISCO ROMEU LANDI: UM LÍDER FORMADOR DE LÍDERES

terça-feira, 26 de abril de 2016

A vida do professor Francisco Romeu Landi está ligada à história da modernização da Escola Politécnica da USP (Poli) e do ensino de Engenharia no país. Engenheiro Mecânico-Eletricista estudou na Poli (Poli-USP), onde também atuou como professor e diretor. Fez pós-doutorado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Portugal, e no Building Research Establishment, na Inglaterra. Ocupou diversos cargos de comando. Foi presidente do conselho do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, vice-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), presidente do conselho deliberativo do Centro de Desenvolvimento e Documentação da Indústria de Plástico para a Construção Civil, membro do conselho de administração do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, do Ministério da Ciência e Tecnologia, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP e presidente do Fórum Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa. Trabalhou na DKW-VEMAG e participou do Grupo Executivo da Indústria Automobilística - Geia, coordenado por Antonio Delfim Neto e instituído no governo Juscelino Kubitschek.

Filho de Lourenço Landi e Luzia Romeu Landi, Francisco Romeu Landi nasceu em 22 de março de 1933. Estudou no Ginásio do Estado Presidente Roosevelt e na Poli. Teve aulas de graduação na Velha Poli, no centro de São Paulo, e práticas laboratoriais no prédio do Laboratório de Máquinas Hidráulicas, onde hoje se localiza o IPT. Em 1966 passou a dar aulas de Sistemas Prediais. O Departamento de Construção Civil, criado em 15 de janeiro de 1970, foi chefiado por ele em dois períodos: de 1987 a 1989 e de 2002 a 2003. Faleceu aos 71 anos, vítima de um infarto no dia 22 de abril de 2004, em São Paulo, enquanto se dirigia da FAPESP a sua casa. Deixou a esposa, Marisia Del Nero Landi e os filhos Paula, Francisco e Fernando, os três engenheiros.

Vahan Agopyan, vice-reitor da USP, afirma que o professor Landi foi uma pessoa importante no desenvolvimento da pesquisa científica. Depois de concluir o pós-doutorado na Europa, retornou ao Brasil com ideias bem definidas, e no final da década de 1970 e na década de 1980 conseguiu formar uma geração de pesquisadores em todas as áreas da Construção Civil. “Formou equipes de pesquisas na Poli e no IPT e isso se propagou para todo o país, mudando conceitos empíricos para conceitos científicos. Teve papel importante no desenvolvimento do PCC da Poli e na área de Construção Civil do IPT e brasileira em geral”. Na presidência da FAPESP trabalhou para que todos os estados brasileiros tivessem uma fundação de apoio à pesquisa. Vahan conta que Landi foi seu professor em 1973, tendo-o incentivado a fazer mestrado, doutorado e a livre docência. “Landi era generoso, seu prazer era ver todo mundo progredir. Foi o grande reformador da escola. Enviou professores da Poli para conhecer as melhores escolas de Engenharia do país e do mundo, visando reformular o ensino. O que a Poli é hoje deve muito a essa visão dele. Quando assumi a direção da Poli, em 2002, ele coordenou o projeto 2015, uma de suas ideias. Era um amigo, um líder inovador que criou uma escola, uma linha de pensamento na Poli e no país”, afirma.

Para Orestes Marracini Gonçalves, falar do Landi demandaria muitas horas. “Trilhamos muitos caminhos, tem coisas do Landi que ainda estão aqui, ele está no DNA do departamento, é uma pessoa inesquecível, que marcou seu tempo e deixou legado. Era um grande amigo e faz muita falta até hoje”. Define o professor Landi como uma pessoa generosa, justa, um líder moderno que criou outros líderes. “Era um construtor de ideias. Sabia da importância do Engenheiro e de como este profissional deveria ser, vislumbrava uma engenharia que se moderniza e se adapta à sociedade. Conseguia enxergar as necessidades a ponto de trazer para estudos, na década de 1970, a questão do Desempenho na Construção Civil, que virou prática apenas a partir 2010”.

O professor Orestes conta que seu contato com Landi começou na década de 70 com a estruturação do PCC, cujo crescimento teve início com a contratação de quatro professores: Vahan Agopyan, Hermes Fajersztajn, Moacir Eduardo Alves da Graça e Orestes Marracini Gonçalves. “Em seu retorno da Europa trouxe uma série de ideias novas, como a questão do Desempenho, a necessidade de trabalhar com a demanda de água e com a proteção contra incêndios”. O professor Orestes e o professor Landi chegaram a firmar uma sociedade, cujo sentido era também o de levar para a prática o conhecimento que tinham na Poli e ao mesmo tempo alimentar a Escola do que a prática oferece.

O atual chefe do PCC, professor Francisco Ferreira Cardoso, fez parte das primeiras equipes formadas por Landi. “Estava no terceiro ano, isso em 1978, quando me convidou para ser bolsista de iniciação científica e, em seguida, monitor. Logo que me formei, comecei a dar aulas de desenho técnico. Ele estava iniciando a reformulação da disciplina, que em seu modo de ver, é de formação e por ela o departamento interage com todos os alunos da escola”. Para Cardoso, o professor Landi tinha duas características: liderança e inovação. “Em 1981 já previa o uso do computador. Nos meus 40 anos de Poli ele foi, sem dúvida alguma, a pessoa mais marcante para mim e para a escola”. Cardoso lembra que em meados dos anos 1980 Landi valorizou no departamento a implantação do regime de dedicação integral, possibilitando que a também escola passasse a ter professores engenheiros dedicados às suas outras atividades fins. Outra transformação foi valorizar e consolidar os cursos de pós-graduação e pesquisa.

Segundo o professor Alex Abiko, uma das características do professor Landi era sua capacidade de agregar e motivar pessoas a trabalhar em torno de uma ideia de Universidade e de Departamento de Construção muito avançado à sua época. “Ele tinha uma característica pessoal de gerente, de liderança, de conseguir trazer as pessoas para trabalhar pela ideia que tinha de como devia ser uma universidade. Em Construção Civil ele teve importância capital no trabalho que foi desenvolvido na Poli e que permanece até hoje”. Segundo Alex Abiko, o professor Landi trouxe uma série de jovens pesquisadores e jovens docentes para trabalhar com ele e buscava esse pessoal no movimento estudantil, tanto no grêmio da Poli, como no centro acadêmico da Engenharia Civil.

O professor Ubiraci Espinelli Lemes de Souza diz que ainda lembra-se do dia em que foi convidado por Landi a ingressar em sua equipe. “Eu era um Engenheiro Civil recém formado e ele estava apostando em mim para ajudá-lo nesta tarefa”. Conta que durante sua formação teve o amparo técnico e emocional do professor Landi. “Seu exemplo de competência, esforço e amor em lidar com o que fazíamos, e sua coordenação e amparo a todos os integrantes do Departamento fizeram com que o PCC passasse de colaborador a líder do aperfeiçoamento acadêmico e da transferência das inovações para a sociedade”, afirma.

A secretária Sueli Carneiro Leão Rossetti diz que já trabalhava na diretoria da Poli quando o professor Landi entrou como diretor. Lembra-se que por ocasião do centenário da Poli percebia o quanto ele se sentia privilegiado por estar na função de diretor num momento tão importante para a Escola. “Seu maior empenho como diretor foi instigar os docentes à reflexão sobre o perfil do Engenheiro que iria se formar no século XXI. Na busca de um ensino de excelência dedicou-se ao projeto Poli 2015, visando estratégias de transformações”. Sueli destaca ainda que o professor Landi foi um grande estimulador da inovação e empreendedor, um líder natural pela sua capacidade de articula- ção e modéstia, que tinha como objetivo manter a Poli como referência nacional e internacional. “Culto e apreciador de leituras nas áreas de medicina, direito, administração e economia, também era alegre e espirituoso e fazia, às vezes, algumas citações de Juó Bananère em La Divina Increnca. Era exigente, justo, solidário, humano, digno e seguidor dos princípios éticos. Sinto-me orgulhosa e privilegiada pela oportunidade de ter convivido por oito anos com profissional tão brilhante e pela amizade, da qual terei sempre avivada as boas recordações”, afirma.

Paula Landi, filha do professor e também politécnica diz que a Poli sempre fez parte da vida da família. “Quando os prédios da Poli estavam em construção na Cidade Universitária íamos fazer piquenique nos finais de semana no entorno do Biênio porque meu pai queria acompanhar as obras. A Poli era a casa dele, assim foi a vida inteira”. Afirmou ainda que além do relato dos amigos, gostaria de ressaltar, na personalidade de seu pai, o grande ser humano que ele era. “Ele sempre teve o mesmo olhar para todos e praticava o amor ao próximo com naturalidade”, concluiu.

Fontes: Poli http://www3.poli.usp.br/a-poli/historia/galeria-de-diretores/214-prof-dr-francisco- -romeu-landi.html , FAPESP http://www.fapesp. br/1606, Wikipédia https://pt.wikipedia.org/wiki/ Francisco_Romeu_Landi e depoimentos.

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Professor Francisco Romeu Landi