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FDTE INFORMA #18

CONCRETO DE QUALIDADE COM MENOS CIMENTO

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Laboratório de Microestrutura e Ecoeficiência de Materiais (LME), do Departamento de Construção Civil da Poli-USP com apoio da InterCement, iniciou em 2012, o projeto Concreto Ecoeficiente, para desenvolver pesquisas visando reduzir o impacto ambiental da produção de concreto e materiais cimentícios em geral. O coordenador do projeto, professor Vanderley John, explica que a ideia é desenvolver uma plataforma de conceitos e de tecnologias que permita atender à demanda da sociedade por materiais cimentícios usando menos cimento. “Na prática estamos desenvolvendo ferramentas que permitirão à indústria reduzir a quantidade de cimento para fazer concreto e argamassa. Esta é a única forma que temos de resolver o problema de gases de efeito estufa preservando os investimentos da indústria sem aumentar o custo de produção”, afirma o professor.

A tecnologia que está sendo desenvolvida altera um procedimento industrial. “Hoje, a indústria utiliza 10% de filler (calcário moído que não passou pelo forno) para diluir o cimento. Nós conseguimos aumentar a quantidade de filler para 70% e obtivemos o mesmo cimento”, afirma John. Ele explica que a indústria já está adaptando alguns produtos onde é possível aplicar esse conceito e alguns produtos da linha da InterCement vão adaptar essa tecnologia. “Serão produtos com a mesma funcionalidade, em alguns casos até melhor do que a de produtos convencionais, emitindo muito menos CO2, com o mesmo custo de produção”.

O professor Vanderley John conta que a equipe está se preparando para construir o primeiro prédio piloto dentro da Poli, onde será instalado o CICS - Centro de Informação de Construção Sustentável. O prédio terá uma estrutura com teor de cimento extremamente baixo. “Devemos conseguir colocar isso no Livro de Recordes, e vamos usar como demonstração”. A construção do prédio faz parte do projeto. Além da InterCement, outras 25 empresas vão colaborar. “Esperamos construir o prédio incluindo novas tecnologias de 30 empresas”, diz John, ao explicar que a tecnologia desenvolvida com a InterCement será aplicada na estrutura. A empresa Leonardi é o parceiro industrial que fará a estrutura pré-moldada. O professor acredita que a obra esteja concluída no meio do ano que vem. “Se olharmos para os objetivos do projeto, que termina no final de 2017, o que estamos fazendo hoje é muito mais ambicioso do que aquilo que foi a nossa imaginação quando formamos a parceria com a InterCement. Um trabalho como esse é da escola, mas é também da empresa e esperamos estender o contrato para depois de 2017”.

O projeto InterCement está em sua segunda versão e o impacto ambiental é ainda menor. O prédio será construído com base nessa versão. “No início reduzimos as emissões em 20% e na segunda versão podemos reduzir o impacto ambiental em 60%, sendo que em laboratório atingimos até 70%”.

Esta nova versão é mais complicada industrialmente e requer outra estrutura técnica. A plataforma abre possibilidades para que os engenheiros que projetam formulações, blocos de concreto, argamassa, façam coisas muito mais sofisticadas, como por exemplo, variar o módulo de elasticidade do concreto sem variar a resistência. “Hoje não se faz concreto impermeável se ele não tiver alta resistência e isso será possível na nova versão, que permite fazer concreto para barragens com características inimagináveis e com grande redução de custos. “Esta nova versão vai abrir novos horizontes para o cimento, material mais usado pela humanidade”.

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