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FDTE INFORMA #17

MOBILIDADE URBANA

terça-feira, 26 de abril de 2016

Em novembro de 1978 a FDTE começou a desenvolver para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), um sistema automatizado de formação de comboios de ônibus com o objetivo de solucionar o congestionamento que se formava no corredor formado pelas avenidas Nove de Julho, São Gabriel e Santo Amaro, devido a falta de capacidade de embarque dos pontos de ônibus. Criada dois anos antes, a CET começava a implantar os primeiros corredores exclusivos de ônibus da cidade de São Paulo.

O projeto denominado Comboio de Ônibus Ordenados (Comonor), coordenado pelo professor Antonio Marcos de Aguirra Massola, foi implantado em um ano e quatro meses e implicou na reorganização do ponto inicial da faixa exclusiva de ônibus. Para reduzir o tempo de parada nos pontos as linhas foram divididas por cores, o que implicava em uma mudança para usuários e motoristas. Os ônibus foram divididos em três séries, A, B e C, que paravam em pontos específicos deslocados, na mesma sequência.

Para que um ônibus parado em um dos pontos não bloqueasse a passagem de outro, cujo ponto estava mais adiante, o sistema concebido compunha comboios de dois, três ou mais ônibus, sempre em sequências respeitando a ordem alfabética, com repetição das letras, se necessário, dependendo do número de ônibus à espera no local de formação dos comboios, mas, nunca invertendo a ordem alfabética.

Ao chegar ao ponto de formação dos comboios, os ônibus entravam em baias específicas e tinham sua presença detectada por meio de sistema de “loops” magnéticos enterrados, que foi desenvolvido pela FDTE. Ele era formado por um conjunto de equipamentos – detectores, circuito, sensores de veículos e controlador (sistema de contagem de veículo, unidade lógica, programação de tempo, relógio, fonte de alimentação e relês de acionamento de semáforos) – destinados ao acionamento automático dos semáforos das estações formadoras de comboios de ônibus dos corredores. O programa descartava a presença de outros tipos de veículos que eventualmente entrassem nas baias exclusivas dos ônibus. Um sistema computadorizado de controle de semáforos de saída das baias liberava os ônibus na sequência correta, repetindo a letra, dependendo do número de ônibus detectados em cada baia.

O Comonor foi considerado um sucesso. Aumentou a velocidade média dos ônibus em 90%, reduziu as filas nos pontos e resultou em grande economia de combustível. Em seguida o sistema foi implantado nas avenidas Celso Garcia e Rangel Pestana. Em uma segunda etapa o mesmo sistema foi desenvolvido para a prefeitura de Porto Alegre e implantado nas avenidas Farrapos, Bento Gonçalves e Assis Brasil.

Antonio Marcos de Aguirra Massola: Possui gradua- ção em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1967), mestrado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1970) e doutorado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1974). Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Engenharia Elétrica, com ênfase em Engenharia Eletrônica, atuando principalmente nos seguintes temas: agricultura de precisão, automa- ção de sistemas elétricos, sistema de informação, impacto ambiental e automação agrícola.

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